25 de abril de 2018

Contos do Fachini

Valdir Fachini

Compositor  - Escritor

valdirfachini53@gmail.com

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21/03/2018

O vendedor de pipocas no rodeio

Fiquei desempregado, que novidade né?

A merreca que recebi de salário, fundo de garantia, e férias, esbanjei tudo, foi uma farra só, cerveja, churrasco, zona, não deu um mês e eu já tinha torrado tudo.

Primeiro salário do seguro desemprego ainda consegui comprar um par de meias e duas cuecas, o resto foi uma farra só, cerveja, churrasco, de vez em quando eu levava a namorada para tomar um sorvete.

Segundo salário, esbórnia e cerveja, terceiro, bagunça e cerveja, quarto, farra e cerveja.

Trabalhar que é bom, nem pensar, até que o dinheiro se acabou, não tinha mais salário e a vergonha na cara já ido pro beleléu a muito tempo.

Passear com a namorada? De que jeito? Já não tinha dinheiro nem pro combustível e a pé ela não ia, nem que a vaca tussa.

Então um amigo que também estava desempregado me deu uma ideia, da gente ir nos rodeios vender qualquer coisa.

Lá fomos nós, ele vendendo água e eu pipoca.

Olha a pipoca, doce, salgada, com pimenta, sem pimenta, saco grande, saco pequeno, e lá ia eu gritando no meio da peãozada chapeluda, neguinho roubando minhas pipocas, outros passando a mão no meu traseiro, as cowgirls me chamando de pipoqueiro gostoso, os tontos me xingando de baitola, mas eu não arredei o pé, continuei.

Num sabadão desses, ia ter rodeio e show com Chitãozinho e Xororó, meu amigo Adilson, que é guitarrista deles, até me convidou para ir no camarim pra conhece-los, mas eu não fui não, precisava vender minhas pipocas, ganhar uns trocados pra comprar um agrado pra minha gata, que com certeza estava em casa me esperando.

E lá fui eu gritando no meio das arquibancadas, olha a pipoca, quem quer pipoca?

La na arena, os cavalos e os bois iam pulando e fazendo peão comer areia com palha de arroz.

Eram oito segundos que o locutor falando mais que o homem da cobra, encobria meus apelos, OLHA A PIPOCA, OLHA A PIPOCA!

Na arquibancada, a rapaziada do chapéu grande, bebendo cerveja feito doidos e as garotas batendo a bota na tábua fazendo a maior zoeira, a Dorotheia , amiga da minha namorada abraçada com o Venceslau, irmão da minha namorada e minha namorada sentada no colo do Aristides dando o maior amasso.

Parei, esfreguei e arregalei bem meus olhos pra ver se era verdade o que eu estava vendo, e era.

Naquela noite, o rodeio pra mim acabou, não vendi mais minhas pipocas, fui embora com uma tremenda dor de corno, nem esperei o Chitãozinho cantar FIO DE CABELO.

Mas tem males que vem pra bem, depois disso eu parei com as bagunças, me tornei um rapaz sério, não bebo mais, tenho outra namorada, bem mais bonita que aquela baranga.

Continuo vendendo pipocas, nos rodeios, praças, na porta das igrejas, onde tiver multidão, eu também vou.

Vai uma pipoca aí, tio? Cuidados quanto a cobertura que realmente precisa

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